quarta-feira, 5 de março de 2014

Portugal fez colocação privada de dívida de 1,27 mil milhões

O presidente do IGCP, João Moreira Rato, disse em entrevista à Bloomberg que quer explorar mais alternativas de financiamento.
O Estado português vendeu 1,267 mil milhões de euros em dívida a um investidor nacional no mês passado. A revelação foi feita hoje pelo presidente da agência que gere o crédito público, João Moreira Rato, em entrevista à Bloomberg. A colocação, ao abrigo do programam ‘medium-term notes', saiu com uma taxa de 4,6%. Os títulos emitidos vencem em 2022 e tratou-se de uma operação de troca.

O presidente do IGCP referiu que "o nosso maior foco é aumentar a liquidez e reconstruir o acesso total ao mercado". Para o conseguir, o Estado tem de começar a fazer leilões regulares de obrigações do Tesouro. Mas neste momento, o IGCP refere que está à espera de uma maior estabilização do mercado para avançar com essas operações. Quando os leilões regulares começarem deverão incidir em obrigações de entre cinco a dez anos, referiu Moreira Rato.

Este é um passo essencial para a reconquista o acesso total aos mercados, depois de ter conseguido fazer duas emissões sindicadas desde o início do ano, em títulos a cinco e a dez anos e que permitiram encaixar 6,25 mil milhões de euros.

Além dos leilões regulares, Moreira Rato quer explorar "outras oportunidades para emitir". Ou seja, fazer colocações privadas de dívida para investidores de nicho que não costumem estar presentes no mercado de obrigações portuguesas.

Leilões de recompra e operações de troca são para continuar
No mês passado, Portugal fez um leilão de recompra de dívida, em que amortizou antecipadamente 1,32 mil milhões de euros em obrigações que venciam em Outubro de 2014 e em 2015. Moreira Rato considerou que a baixa participação dos investidores nessa operação são "boas notícias", já que indica que o mercado está disposto a ficar com dívida portuguesa em carteira. O responsável revelou mesmo que os dez maiores investidores em dívida portuguesa continuam a comprar obrigações do tesouro.

Apesar disso, o IGCP conta fazer mais leilões de recompra e fazer entre uma a duas operações de troca de dívida por ano. O objectivo desta estratégia é diminuir as necessidades de refinanciamento de curto prazo, trocando dívida que está perto de vencer por novos títulos com maturidades mais alargadas.

Já os leilões de recompra sinalizam que o Estado tem liquidez suficiente que permite amortizar dívida antecipadamente, caso os investidores estejam disponíveis para vender as obrigações portuguesas que detêm.

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