quarta-feira, 5 de março de 2014

IGCP aguarda que o mercado estabilize para voltar a realizar leilões de dívida de longo prazo



O presidente da agência estatal que gere a dívida pública afirmou esta quarta-feira, em Londres, que o Tesouro irá realizar novos leilões a 5 e a 10 anos, assim que o mercado de obrigações estabilize.
João Moreira Rato, que preside à Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), afirmou esta manhã que o IGCP pretende estabelecer "leilões de dívida regulares", com maturidades superiores a cinco anos.

Moreira Rato não especificou, porém, os montantes ou as datas, afirmando que quer esperar que o mercado de dívida estabilize a taxas de juro mais baixas.

O presidente do IGCP refere-se a emissões de dívida não sindicadas, ou seja, sem o apoio de um sindicato bancário. Na mais recente emissão a 10 anos, por exemplo, Portugal contratou o Barclays, BESI, Citi, Crédit Agricole, Société Générale e RBS para realizar a emissão. Sem este sindicato bancário, as emissões envolvem um maior risco.

Nessa emissão, realizada a 11 de Fevereiro, Portugal emitiu 3 mil milhões de euros a uma taxa de juro de 5,112%. Na altura, o IGCP manifestou a intenção de voltar a “realizar leilões de obrigações no primeiro semestre de 2014 para promover a liquidez e o eficiente funcionamento dos mercado primário e secundário”.

Depois dessa emissão, Portugal aumentou para 6,25 mil milhões de euros o seu financiamento de longo prazo, "alcançando um importante ponto de referência" que permite que se comece a acumular fundos para 2015, revelou a agência em comunicado.

Mais recentemente, a 27 de Fevereiro, o Tesouro português antecipou a amortização de um total de 1.320 milhões de euros em obrigações do Tesouro que venciam em 2014 e 2015, através de um leilão de recompra.

O IGCP utilizou parte da "almofada" financeira acumulada nos últimos meses para antecipar a amortização de 293 milhões de euros em dívida que vencia em Outubro de 2014 e 1.027 milhões de euros em obrigações que atingiam a maturidade em 2015.

As taxas de juro da dívida portuguesa estão hoje em queda em todas as maturidades, segunda as taxas genéricas da Bloomberg, permanecendo abaixo dos 5% no prazo a 10 anos.

Na maturidade a dois anos, a "yield" cai 5,5 pontos base para 1,726%, tendo tocado no valor mais baixo desde 2010. No prazo a cinco anos recua 14,4 pontos base para 3,542% e a 10 anos cai 14,9 pontos base para 4,685%.

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