terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Macquarie recomenda apostar na subida do BES e descida do BCP

A Macquarie recomenda aos clientes uma estratégia que permite ganhar se as avaliações do mercado do BES e do BCP convergirem. A equipa de “research” acredita que o primeiro está subavaliado, ao mesmo tempo que se mantém pessimista quanto à cotação do segundo. Os preços-alvo do BPI e do BES foram revistos em alta.
Os analistas do Macquarie aconselharam esta terça-feira, 18 de Fevereiro, os clientes a combinarem a compra de acções do BES com a venda de títulos do BCP. Esta estratégia permite lucrar caso o segundo tenha um comportamento bolsista relativamente pior que o primeiro, segundo a nota de análise a que o Negócios teve acesso esta manhã.

O banco de investimento acredita que o valor de mercado do BES incorpora um desconto “injustificado” face aos pares da Península Ibérica. De resto, a mesma perspectiva fora já expressa numa nota de análise de outro banco de investimento. O Nomura recomendou “comprar” acções do banco liderado por Ricardo Salgado a 12 de Fevereiro, por o considerar subavaliado.

Contudo, o relativo optimismo dos analistas do Macquarie para o BES coincide com o pessimismo relativamente à cotação do BCP, já que atribuem um preço-alvo de 0,13 euros aos títulos do segundo. Esta terça-feira, o banco liderado por Nuno Amado encerrou nos 0,1964 euros. O potencial de desvalorização leva a instituição a atribuir uma recomendação de “conviction underperform”. Isto é, o Macquarie está particularmente convicto de que o banco terá um comportamento negativo face aos pares.

“Acreditamos que o BES é comparado desfavoravelmente com os pares, já que os rácios de capital do  BCP e do BPI beneficiam dos CoCos (instrumentos convertíveis contingentes) estatais.” Note-se que o BES também negoceia acima do preço-alvo de 1,18 euros.

Daí que a recomendação aos clientes lhes indique a compra de acções do BES, combinada com a venda a descoberto de títulos do BCP. Desta forma, o investidor está a apostar que a avaliação de mercado dos dois bancos irá convergir. O banco liderado por Ricardo Salgado encerrou a sessão desta terça-feira nos 1,37 euros, acima do preço-alvo de 1,18 euros que o Macquarie lhes atribui.

Contudo, nesta estratégia, se os dois bancos se aproximarem do justo valor calculado pelo Macquarie, o saldo continua a ser positivo para o investidor. Isto porque a desvalorização de 14% do BES seria mais do que compensada com o ganho obtido nas acções do BCP que foram vendidas a descoberto. O banco de Nuno Amado teria de depreciar 34% para alcançar o preço-alvo de 0,13 euros.
 
BES está melhor preparado para reforçar a rendibilidade

Os analistas do Macquarie acreditam que o BES está subavaliado face aos pares, já que negoceia a múltiplos mais baixos.
“A recuperação da rendibilidade continua a ser desafiante para os bancos ibéricos, mas com o BES a negociar a [um múltiplo de] 0,9 vezes o valor líquido dos activos, consideramos injustificado o desconto face aos pares da Península Ibérica”, lê-se na nota de análise.

Sem recorrer a CoCos, o BES tem um rácio de solvabilidade “core tier one” de 8,1%. Já no caso do BCP, esse rácio ficaria abaixo de 2% sem ajuda do Estado observam. “Apesar de 8,1% estar muito longe de ser à prova de bala, vemos oportunidades para o BES conseguir melhorias nos rácios através da optimização de capital”, diz.

Ao mesmo tempo, o banco de investimento diz que o BES “está mais adiantado” na recuperação das receitas, com menor recurso a financiamento junto do Banco Central Europeu. A aposta nas pequenas e médias empresas irá permitir ao banco acompanhar melhor a recuperação da economia portuguesa.

A nota de "research" publicada pelo Macquarie adianta que o preço-alvo do BES subiu de 0,80 para 1,18 euros, com uma recomendação de "neutral", enquanto a do BPI passou também de 0,80 para 1,15 euros, com uma recomendação de "underperform". Já o BCP permaneceu inalterado nos 0,13 euros.
 

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