A flexibilidade é um dos principais trunfos das empresas portuguesas da indústria de engenharia, cujo desempenho está "ao nível do que melhor se faz internacionalmente", mas o sector investe "pouco" em I&D, revela um estudo a que a Lusa teve acesso.
Segundo as conclusões do Inquérito Internacional de Estratégias de Produção (IMSS) - realizado a 843 empresas de todo o mundo, 34 das quais portuguesas, para avaliar as melhores práticas no sector industrial - as três principais vantagens comparativas da indústria de engenharia portuguesa são a flexibilidade (enquanto capacidade de resposta a prazos de entrega curtos e/ou a quantidades de produção pequenas), a qualidade, a entrega e o custo/produtividade.
Desenvolvido em Portugal pela Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto, o trabalho - realizado de quatro em quatro anos desde 1992 - "surpreendeu" os investigadores nacionais pelo "balanço muito positivo dos resultados".
"Medimos quatro dimensões que cobrem o espectro da performance industrial e, em todas elas, Portugal estava ao nível do que de melhor se faz em todo o mundo. Ficámos surpreendidos com os resultados porque, por exemplo, em comparação com o inquérito anterior, o estudo revelou em Portugal não só um desempenho ao nível (se não melhor) do que se faz internacionalmente, mas também "níveis de desempenho muito elevados" em relação à Europa, afirmou à Lusa o responsável pelo estudo nacional, Rui Sousa.
Esta edição do inquérito contou com a participação de empresas de 19 países da Europa, América e Ásia e abrangeu empresas dos sectores metalomecânico e de electrónica.
Outra "nota positiva", disse o investigador, é que, e "contrastando um bocadinho com o passado, as empresas portuguesas têm um grau de adopção das melhores práticas industriais também muito elevado e, curiosamente, com uma taxa de melhoria muito mais forte do que a amostra internacional".
"Ou seja - acrescentou - não só hoje as empresas portuguesas têm uma performance muito boa, como esta performance deu um salto grande nos últimos três anos maior do que no resto do mundo".
Para além da flexibilidade, também o baixo custo surge como uma vantagem competitiva da indústria portuguesa, determinante para a atracção de encomendas, mas sobretudo no contexto europeu.
"Face a outros países europeus, o custo da produção em Portugal aparece como um factor muito importante, mas a nível global já não é assim, porque [numa escolha] entre a China e Portugal ninguém vem para cá por causa do custo", explicou Rui Sousa.
Assim, continuou, "a flexibilidade, mais do que o custo, é um factor diferenciador de Portugal para ganhar encomendas, mas, a nível da atracção de investimento, o factor custo ainda é importante na escolha de Portugal como país para localizar fábricas".
Pela negativa, o investigador da Católica diz que o inquérito evidenciou um "'gap' muito grande (e até algo surpreendente) entre Portugal e o resto do mundo relativamente ao investimento feito em percentagem das vendas".
De acordo com Rui Sousa, as empresas portuguesas investem cerca de 4% do valor das suas vendas em Investigação & Desenvolvimento (I&D), quando a média global é de 7%.
Para o docente, a questão que se coloca é se se trata de uma situação "conjuntural", decorrente da actual crise e da falta de crédito - "e, se for assim, menos mal" - ou se esta tem um carácter estrutural.
"Se isto é algo que se vai prolongar no futuro, então, a longo prazo, pode colocar as empresas portuguesas em desvantagens importantes face às suas congéneres que estão a investir muito mais, em percentagem das vendas, do que as portuguesas", considerou, alertando que "este baixo nível de investimento não deve ser prolongado no tempo, sob pena de Portugal se colocar em situação competitiva muito frágil".
Realizado durante o segundo semestre de 2013 por 45 escolas de negócios e universidades de todo o mundo, o IMSS é dirigido a empresas da indústria metalomecânica e electrónica seleccionadas "pela sua excelência na produção", inquirindo-as sobre as respectivas práticas industriais, desempenho e estratégias, de forma a "apanhar o que de melhor se faz em cada país".
Desenvolvido em Portugal pela Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto, o trabalho - realizado de quatro em quatro anos desde 1992 - "surpreendeu" os investigadores nacionais pelo "balanço muito positivo dos resultados".
"Medimos quatro dimensões que cobrem o espectro da performance industrial e, em todas elas, Portugal estava ao nível do que de melhor se faz em todo o mundo. Ficámos surpreendidos com os resultados porque, por exemplo, em comparação com o inquérito anterior, o estudo revelou em Portugal não só um desempenho ao nível (se não melhor) do que se faz internacionalmente, mas também "níveis de desempenho muito elevados" em relação à Europa, afirmou à Lusa o responsável pelo estudo nacional, Rui Sousa.
Esta edição do inquérito contou com a participação de empresas de 19 países da Europa, América e Ásia e abrangeu empresas dos sectores metalomecânico e de electrónica.
Outra "nota positiva", disse o investigador, é que, e "contrastando um bocadinho com o passado, as empresas portuguesas têm um grau de adopção das melhores práticas industriais também muito elevado e, curiosamente, com uma taxa de melhoria muito mais forte do que a amostra internacional".
"Ou seja - acrescentou - não só hoje as empresas portuguesas têm uma performance muito boa, como esta performance deu um salto grande nos últimos três anos maior do que no resto do mundo".
Para além da flexibilidade, também o baixo custo surge como uma vantagem competitiva da indústria portuguesa, determinante para a atracção de encomendas, mas sobretudo no contexto europeu.
"Face a outros países europeus, o custo da produção em Portugal aparece como um factor muito importante, mas a nível global já não é assim, porque [numa escolha] entre a China e Portugal ninguém vem para cá por causa do custo", explicou Rui Sousa.
Assim, continuou, "a flexibilidade, mais do que o custo, é um factor diferenciador de Portugal para ganhar encomendas, mas, a nível da atracção de investimento, o factor custo ainda é importante na escolha de Portugal como país para localizar fábricas".
Pela negativa, o investigador da Católica diz que o inquérito evidenciou um "'gap' muito grande (e até algo surpreendente) entre Portugal e o resto do mundo relativamente ao investimento feito em percentagem das vendas".
De acordo com Rui Sousa, as empresas portuguesas investem cerca de 4% do valor das suas vendas em Investigação & Desenvolvimento (I&D), quando a média global é de 7%.
Para o docente, a questão que se coloca é se se trata de uma situação "conjuntural", decorrente da actual crise e da falta de crédito - "e, se for assim, menos mal" - ou se esta tem um carácter estrutural.
"Se isto é algo que se vai prolongar no futuro, então, a longo prazo, pode colocar as empresas portuguesas em desvantagens importantes face às suas congéneres que estão a investir muito mais, em percentagem das vendas, do que as portuguesas", considerou, alertando que "este baixo nível de investimento não deve ser prolongado no tempo, sob pena de Portugal se colocar em situação competitiva muito frágil".
Realizado durante o segundo semestre de 2013 por 45 escolas de negócios e universidades de todo o mundo, o IMSS é dirigido a empresas da indústria metalomecânica e electrónica seleccionadas "pela sua excelência na produção", inquirindo-as sobre as respectivas práticas industriais, desempenho e estratégias, de forma a "apanhar o que de melhor se faz em cada país".
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