quinta-feira, 12 de junho de 2014

BCP cai 6% após notícia de que está a preparar aumento de capital até 2.000 milhões

O Banco Comercial Português estará a preparar um aumento de capital até dois mil milhões de euros, de acordo com a Bloomberg. JPMorgan e Deustsche Bank estarão já a trabalhar com a instituição liderada por Nuno Amado. Acções fecharam a cair mais de 6%.
As acções do BCP fecharam a cair 6,14% para 17,88 cêntimos, isto depois terem estado a perder 6,61% para 17,79 cêntimos. Durante a sessão desta quinta-feira, os títulos do banco liderado por Nuno Amado chegaram a avançar mais de 3,5%. No entanto, as acções começaram a aliviar dos ganhos às 15h29m, hora a que a Bloomberg publicou a notícia de que o banco liderado por Nuno Amado estaria a preparar um aumento de capital. No entanto, fonte oficial da instituição disse ao Negócios que o banco "não tomou qualquer decisão sobre aumento de capital".

Às 15h34 desta quinta-feira os títulos do BCP entraram em terreno negativo, tendo chegado a perder um máximo de 8,14%.

Na sessão de hoje trocaram de mãos 282 milhões de acções quando, a média dos últimos seis meses, é de 166 milhões de acções.

Esta evolução das acções teve lugar num dia em que a agência norte-americana Bloomberg avançou que o Banco Comercial Português (BCP) pode estar a preparar um aumento de capital – através da venda de acções – até dois mil milhões de euros

De acordo com a agência Bloomberg, que cita duas pessoas com conhecimento da operação, a instituição liderada por Nuno Amado está já a trabalhar com o JPMorgan e com o Deutsche Bank para angariar entre 1,5 mil milhões de euros e 2,0 mil milhões de euros através de uma venda de acções que poderá ainda ocorrer este mês de Junho.

No entanto, fonte oficial do BCP disse ao Negócios que a instituição "não tomou qualquer decisão sobre aumento de capital", no entanto, admite que o banco está sempre a "estudar alternativas para criar valor aos seus accionistas.

Esta operação deverá ter como principal propósito que o banco possa reembolsar a ajuda pública que recebeu, o que permite que o Estado saia da instituição. Aliás, no passado dia 27 de Maio, o BCP começou já este processo de reembolso, ao pagar 400 milhões de euros ao Estado, pela ajuda financeira concedida através de instrumentos de capital contingente ("Cocos") emitidos pelo banco para cumprir as exigências de solvabilidade do Banco de Portugal.

A notícia ainda não foi confirmada pelo banco. Ainda assim, no passado dia 2 de Junho - três dias antes da aprovação do regime fiscal que permite às instituições converter impostos diferidos em créditos fiscais -, Nuno Amado dizia a instituição não tinha tomado qualquer decisão sobre um aumento de capital nem tinha em curso nenhum processo com vista a realizar essa mesma operação.

Este eventual aumento de capital tem lugar, assim, alguns dias depois de o Governo português ter aprovado um regime fiscal que permite às instituições financeiras converter os impostos diferidos em créditos fiscais, uma medida que permitirá libertar capital dos bancos. Ainda que, com esta medida - aprovada a 5 de Junho em Conselho de Ministros - toda a banca vá beneficiar deste regime, a instituição que mais beneficia é o BCP. Segundo os cálculos do Caixa BI, a conversão dos impostos diferidos terá um impacto para a instituição que oscila entre 1,2 e 1,4 mil milhões de euros, facilitando o reembolso das obrigações de capital contingente (Cocos) ao Estado.

Na sexta-feira, dia 6 de Junho, e 24 horas após a aprovação desta medida, os analistas partilhavam de uma mesma opinião. Os especialistas de bancos de investimento nacionais apontavam que depois de o Governo ter desbloqueado a questão dos impostos deferidos, era mais provável que o BCP avançasse com um aumento de capital para antecipar o reembolso ao Estado.

Por outro lado, esta operação que o BCP deverá realizar tem lugar também numa altura em que os testes de stress à banca realizados pelo Banco Central Europeu (BCE) estão a ser realizados.

Ontem, dia 11 de Junho, foi revelado que aumento de capital de 1.045 milhões de euros do Banco Espírito Santo BES foi totalmente subscrito, com a procura de acções a superar a oferta disponível em 79%, confirmou esta quarta-feira o banco liderado por Ricardo Salgado.

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